"O Brasil precisa de santos apóstolos". Frase do Papa João Paulo II, em visita ao Brasil.
Durante a homilia da missa do IV domingo do Tempo Comum, o padre nos exortava a abraçar nossa vocação cristã ao apostolado e à santidade.
Baixinho, Marcio me dizia: "...santos músicos também..." Frase que me fez relembrar alguns questionamentos que eu me fazia há não muito tempo.
Deus me deu o dom da música. O dom de cantar, de tocar, de apreciar e de ensinar a arte dos sons. Mas durante muito tempo de minha vida questionava-me sobre a real utilidade desse dom para a sociedade. A meu ver, profissões como a medicina eram muito mais nobres e úteis, no sentido de que seu exercício era uma forma direta de praticar a caridade, de importar-se com o outro, enfim, de realmente pôr em prática a abnegação e o altruísmo.
Olhando por esse angulo, em quê contribuo com a carreira que escolhi? É fato notório que o mundo artístico é um meio egoísta, e de fato a vaidade é uma tentação da qual é difícil resistir. Junto com a exposição, vêm os aplausos, e os elogios que envaidecem. Pensamentos de superioridade estão sempre a nos circundar... A inconstância própria da profissão tenta-nos a sermos, também nós, inconstantes interiormente. Dificilmente tenho horários regulares, e eventuais "surpresas" fazem com que minha programação pessoal desça por água abaixo...
Entretanto, minha alma anseia por algo grande, por um momento em que possa expressar todo o amor abnegado que somos exortados a viver, como viveu o próprio Cristo e seus santos, como Madre Teresa de Calcutá.
Assim, perco-me diante desse aparente impasse: como servir a Deus, se minha arte me remete mais a mim mesma do que aos outros?
...o que vocês pensam disso?