sexta-feira, 16 de novembro de 2007


Pobre coração, por que não te emendas e torna-tes sincero comigo?


...
Não, não estou curtindo tanta fossa assim. Minha tristeza deriva-se mais da constatação do que pude ser e não fui; de tudo de que abdiquei; da pessoa em que me transformei, menos desafiadora e menos interessante do que era; de tudo o que não questionei; do que deixei de ser para unir-me a algo que hoje não me completa e não me traz felicidade.

Como encontrar-me de novo com quem um dia fui? Como apagar as certezas que absorvi sem questionar? Como despertar o meu interesse em mim mesma?

Sei que não costumo ouvir minha alma, o que talvez fosse interessante fazer nesse momento...
Minha alma me aconselha a buscar novos ares, nova liberdade, novos desafios. Minha alma me aconselha a não voltar à mesma situação de sempre, e a jamais aceitar ser amada pela metade. Minha alma tem sede de completude, de brilho nos olhos, do coração mais sincero e mais motivador que houver na face da Terra. Minha alma tem sede de empolgação, e dos sonhos que me deixei podar. Acho que está na hora de ouvi-la.



Parafraseando Clarice Lispector, "Meu Deus, me dê a coragem"...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007



"Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste,
assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo
eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas
eu não tinha este coração
que nem se mostra
eu não dei por esta mudança tão simples,
tão certa, tão fácil
em que espelho ficou perdida minha face?"
(Cecília Meirelles)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Em meio à crise

Esse post deixei guardado como rascunho, sem coragem de publicá-lo. Escrevi-o por ocasião de nossa breve separação. Breve no tempo, mas longuíssima como espaço de reflexão e avaliação do caminho que até então dávamos à nossa vida.


Não tenho nada a esconder, e muito menos vergonha dos meu sentimentos. Ei-o pois!





Perguntaste-me ao telefone se estou bem
- Sim, bem - respondi, sem pensar
Ao tentar enganar a voz
que d´outro lado me ouvia


- Estou bem - penso

Ao chorar quando desligaste
a pensar no teu sorriso
ao imaginar a falta que não faço


Será que estou bem?

Se secretamente me vem o pranto
Nos momentos silenciosos
No ouvir tristes melodias


Sim, estou bem!

Pois estou me refazendo,
E por mais que sinta saudades destes anos passados juntos
Preciso descobrir quem sou,
Impregnar-me do eu que me pertencia outrora
E que deixei diluir-se no nós




Um pouco de poesia de verdade:


Vinicius de Moraes - Valsa Para O Ausente


Procura ouvir
A minha voz
Na tua solidão

Procura ver

Meu corpo a sós
Arder na escuridão

Procura, amor
Em tua dor
Sentir o pranto meu

Aqui estou eu

A te esperar
Com tudo que foi teu

Não tardes mais

Que as tardes más
Já vão anoitecer


Vinicius de Moraes - Ouve O Silêncio


Cala

Ouve o silêncio
Ouve o silêncio
Que nos fala tristemente
Desse amor que não podemos ter

Não fala

Fala baixinho
Diz bem de leve um segredo
Um verso de esperança em nosso amor

Não, oh, meu amor!
Canta a beleza de viver!
Saúda o sol e a alegria de amar
Em nossa grande solidão



Vinicius de Moraes - Além Do Tempo

Esse amor sem fim, onde andará?
Que eu busco tanto e nunca está
E não me sai do pensamento
Sempre, sempre longe

Esse amor tão lindo que se esconde
Nos confins do não sei onde
Vive em mim além do tempo
Longe, longe, onde?

Por que não me surges nessa hora

Como um sol
Como o sol no mar
Quando vem a aurora

Esse amor que o amor me prometeu

E que até hoje não me deu
Por que não está ao lado meu?
Esse amor sem fim, onde andará?

Esse amor, meu amor,

Onde andará?